ENTREVISTA AO VICE-PRESIDENTE DE MONDIM DE BASTO, PAULO MOTA

Residência Artística em Mondim de Basto

Qual foi a sua reação quando soube que seria o Rodrigo a protagonizar a residência artística aqui em Mondim de Basto?

Foi uma boa reação. Não por conhecer completamente o trabalho do Rodrigo, admito, mas tive a oportunidade de conhecer depois de saber que tínhamos escolhido fotografia, até porque a opção foi feita por temática. Na altura fomos desafiados a optar por temática sem conhecermos propriamente os artistas que iam estar presentes nesta iniciativa. E, por causa de toda esta envolvência, pela questão da natureza, das paisagens, cedemos ao desafio de aceitar a temática da fotografia. E, portanto, saber que era o Rodrigo Amado veio depois e, claro, posteriormente tive a oportunidade de consultar o trabalho dele e fiquei super agradado. E estamos entusiasmados e expectantes para ver o resultado final.

Como é que está a correr a residência artística? Qual é o feedback que têm recebido das pessoas?

Eu acho que em relação ao feedback das pessoas poderemos começar a receber a partir de hoje a seguir ao workshop. O Rodrigo tem andado “disfarçado” no meio de Mondim, o que é bom. Já tive a oportunidade de falar com ele e ele tem realmente explorado todo este território. Algumas dicas “aqui e ali”, mas ele também tem preferido aventurar-se sem andar propriamente com um guia, e isso também é bom. Porque essa é também a nossa expectativa de tentar perceber como é que alguém que chega de novo a este território o vê e o regista.

Portanto, esta é uma oportunidade de termos pontos de vista diferentes sobre este território que é muito visitado por turistas, e agora também muito fotografado com estas questões das redes sociais e afins. É sempre desafiante ver um olhar diferente, o olhar de alguém que fica aqui durante um período, como é o caso do Rodrigo que fica aqui durante 10 dias. Percebendo a história, percebendo um bocadinho as pessoas, e depois registá-lo. Portanto, como é que se regista este território com este “olhar novo” e com este “olhar” diferente.

Sei que também tem uma ligação com a fotografia. Que relação é essa?

É uma paixão. Digamos que é a minha formação profissional, técnica audiovisual. Eu venho da fotografia e do vídeo e, claro, tenho um gosto particular por esta arte, por este modo de expressão. E só reforça aquilo que eu disse anteriormente. Expectante, também eu, porque ando neste território e por vezes sinto que procuramos formas diferentes de o registar. Para quem, como eu, já o regista há muito tempo, existe sempre esse ‘bichinho’ de perceber como é que alguém consegue olhar para este pedacinho de terra que foi tão brindado com estas maravilhas da natureza e ver como o observam e o registam.

Qual foi o objetivo da realização de um workshop de fotografia inserido na residência artística?

Eu acho que o objetivo é exatamente tudo aquilo que eu já descrevi. Ainda recentemente, tivemos uma residência no âmbito de uma outra iniciativa mais direcionada à escultura e ao design. E aqui, eu julgo que o objetivo é sempre o mesmo. É ver de que forma é que, por via de manifestações culturais, neste caso da fotografia, como é que nos compreendem. Claro que é sempre uma oportunidade. Esta questão do workshop, contactando com as pessoas, ficar também uma mais-valia no território, nomeadamente dar oportunidade a pessoas de Mondim que gostam de fotografia de terem esta experiência com alguém que exerce isto profissionalmente.

Mas, acho que o maior desafio é exatamente isso. É trazermos pessoas até Mondim, trabalharem em comunidade e depois verem de que forma é que eles nos veem, nos registam, e quais acham que são os pontos fortes deste concelho. Portanto, eu acho que o objetivo é reforçar tudo aquilo que disse até aqui, ou seja, trazer alguém novo a interagir com a comunidade e a ver de que forma é possível registar, neste caso em fotografia, Mondim.

Qual esperam que seja o resultado final desta residência? Acham que o trabalho do Rodrigo pode trazer mais pessoas aqui ao município?

Claro. Daqui teremos um resultado final que serão algumas imagens impressas. Atendendo à situação que estamos a viver neste momento, e admitindo que ela ainda se vai manter. Enfim, nada nos impede de fazer um convite a que as pessoas possam vir a uma exposição num espaço do concelho que ainda iremos selecionar. Seja um espaço do concelho, seja na Biblioteca Municipal onde contamos ter essas exposições. Isso será também uma forma de todos aqueles que nos visitam terem algo diferente para ver, como é o caso de uma exposição fotográfica.

Todas as outras formas de divulgação do trabalho de imagem que hoje conhecemos e repito, a Internet, as redes sociais, que sem dúvida são fontes motivação, ou seja, para quem vê e se sente impelido a vir visitar o território. Esperemos que essas imagens possam transmitir essa beleza natural, ou esta beleza do edificado. Sei que o Rodrigo também está muito entusiasmado com a questão das aldeias e do edificado em Mondim. E que essas imagens sejam um atrativo que possa trazer mais gente a Mondim. E esse também será um objetivo a atingir.

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